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Como todas as expressões de vida da igreja, a música precisa ser avaliada de acordo com o propósito do serviço a Deus. Na realidade, a música sacra muitas vezes tem sido um obstáculo para a edificação da igreja, porque confirmava os ouvintes no seu cristianismo errôneo em vez de chamá-los ao discipulado. Isso fazia com que as pessoas se sentissem boas cristãs simplesmente ouvindo uma boa música. Isso vale, aliás, também para a música sacra moderna: o prazer estético e os sentimentos sublimes facilmente se colocam no lugar da fé em Cristo, da comunhão verdadeira e do serviço prático. Esse tipo de cristianismo cultural não tem muito a ver com a fé bíblica. (Celebrando o Amor de Deus, 45-46).
A decisão fundamental a respeito da estrutura musical do culto é se a igreja quer buscar as pessoas lá onde elas estão. É obvio que isso não é fácil, pois as pessoas não podem ser padronizadas, e, não importa o estilo de música que seja escolhido para o culto, ela sempre atrairá algumas pessoas e afastará outras. Cada pessoa tem uma forma diferente de perceber a música, e nenhum estilo provoca em todas as pessoas o mesmo tipo de sentimentos. Não importa se toquem Beethoven, rock ou Chitãozinho e Xororó, sempre haverá pessoas que gostam ou não deste tipo de música. (Ibid., 49-50). Apesar das diferenças de gostos musicais, a música cristã precisa ser sadia no seu texto e ao mesmo tempo relevante e atraente; portanto, muita atenção é necessária na hora de escolher e preparar as músicas a serem cantadas no culto de adoração Ellen White escreveu: Como parte do culto, o canto é um ato de adoração tanto como a oração. (Educação, 168) A música é o meio de comunicação com Deus de coração para coração. Firme está o meu coração, ó Deus, ...cantarei e entoarei louvores. Cantarei ao Senhor enquanto eu viver e à noite comigo está o Seu cântico (Sl 57:7; 104:33; 42:8). O livro de Salmos está repleto de expressões muito íntimas desta arte. Cantar a Deus é a expressão mais íntima do ser do cristão e, somente como expressão da intimidade do ser, ela tem a sua razão e o valor de ser. Poucas coisas conseguem motivar ou desmotivar mais uma pessoa do que a música que ela gosta - ou não gosta. A propósito, Platão disse: Dê-me a música de um povo e eu mudarei a mente deste povo! Também se pode inverter esta conclusão: A pessoa que não conseguir tocar a música de um povo não irá alcançar esse povo e, por isso, também não conseguirá influenciá-lo. A música no culto sempre será motivadora ou desmotivadora para as pessoas presentes. Se não conseguir motivar, infelizmente fará o contrário. (Celebrando o Amor de Deus, 61). Por atuar tão profundamente sobre o mais íntimo do ser, a música tem uma função terapêutica. Há terapias inteiras baseadas neste princípio. A música sacra não é exceção. Pelo contrário, cada música cantada no culto deveria contribuir para a cura das pessoas. A letra, o ritmo e a harmonia devem ajudar nesse processo. Repetidas vezes, percebe-se a ênfase nestas duas principais atividades nos relatos sobre o ministério de Jesus: Ele pregava e curava (Mt 4:23; 9:25). Todo culto deve espelhar este serviço duplo de Jesus às pessoas, mesmo que a proclamação assuma caráter terapêutico e a música expresse proclamação. O importante é que os dois elementos andem de mãos dadas, como no ministério terreno de Jesus. A música tem o papel de chamar à adoração, pois muitas pessoas vão à igreja carregando um imenso fardo de problemas acumulados durante a semana, e precisam ser esvaziadas, a fim de que a mensagem apresentada alcance seu efeito restaurador e ocupe a mente dos adoradores. Hodges confirma esta posição quando diz: A música conduz as pessoas a uma resposta emocional no serviço de adoração. Tem sido dito que a música abre o coração para a Palavra preenchê-lo. Quando a música escolhida para o serviço de adoração toca o coração das pessoas, é mais fácil comunicar a Palavra de Deus. (A Call to Worship, 107). O louvor pode começar em um crescente. Primeiro, convida com músicas alegres e vibrantes e depois prepara com músicas calmas e introspectivas. Em resumo, a música convida à adoração, prepara o adorador para receber o abraço do Criador e serve como um meio fundamental de diálogo com Deus. (Exploring Worship Anew: Dreams and Visions, 113) Em nenhum lugar da Bíblia se diz que no Céu haverá pregação ou profecia, mas música existirá (Ap 14:2-3). Cantar, tocar e louvar a Deus serão atividades importantíssimas dos anjos e da igreja glorificada. A linguagem do coração será universal e facilmente compreendida. Hoje, só é possível experimentar ou imaginá-la parcialmente através da música nos cultos, mas virá o tempo em que o crente não somente imaginará, mas também cantará e louvará ao Senhor Deus para sempre. |