Pr. José Santos

Pequenos grupos - Mensagem Pr. José Santos

Uma pesquisa realizada por Schwarz concluiu que a multiplicação constante dos grupos familiares é um princípio universal de crescimento da igreja.

A vida nos pequenos grupos influencia positivamente a qualidade e o crescimento numérico da igreja. Isso significa que esses grupos não somente estudam textos bíblicos, mas também os relacionam com os fatos concretos da vida diária do cristão.

Em primeiro lugar, o que é um pequeno grupo? Dr. Paul Y. Cho responde da seguinte maneira:

O pequeno grupo é a parte básica de nossa igreja. Este não é outro programa da igreja - é o programa da nossa igreja. Ele tem um tamanho limitado, usualmente não mais que quinze pessoas. Tem uma meta definida dentro do meu ministério associado e também no meu. Tem um plano definido que é dado para cada grupo de maneira escrita. Tem uma liderança definida e treinada em nossa escola. Tem membros homogêneos que possuem background similar”.

Uma outra definição de pequenos grupos, vinda de Schwarz, diz: Grupos familiares são o lugar natural em que cristãos, com os seus dons aprendem a servir os outros participantes – membros ou não – do grupo. A multiplicação planejada desses pequenos grupos é facilitada pelo fato de esses grupos produzirem constantemente novos lideres. No contexto dos grupos familiares acontece aquilo que está por trás do conceito de “discipulado”: transferência de vida em vez do estudo de conceitos abstratos.

Jesus modelou para Seus discípulos, enquanto esteve com eles, uma igreja que estava embasada em relacionamento, viver junto em comunidade. Fora desta comunidade-família, o evangelismo deveria acontecer. Devido à explosão do Espírito Santo no Pentecostes, a igreja cresceu em número e também em qualidade espiritual. “Os que de bom grado receberam a sua palavra foram batizados e naquele dia agregaram-se quase três mil almas. E perseveravam na doutrina dos apostólos, na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2:41-42). Esta é a mais antiga descrição na vida da igreja apostólica.

Tão logo as pessoas se batizaram, foram envolvidas imediatamente em estudo, relacionamento, alimento e oração. Não somente estavam envolvidas, mas as Escrituras declaram que estavam devotadas a essas coisas. Outra passagem reforça esta idéia: “Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo a necessidade de cada um. Perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração” (At 2:44-46). Aqui, segundo Burrill, apesar de alguns autores discordarem desta posição, se observa que o repartir do alimento era feito em casas, o que implica que essa reunião, juntos, não era de todos em um mesmo lugar, mas em muitas casas. O grupo também se reunia regularmente no templo. Todavia, as reuniões eram realizadas primariamente em casas. Evidentemente, milhares de pessoas estavam reunidas em pequenos grupos, nutrindo e fortalecendo-se mutuamente.


Esta citação de Michael Wiebe mostra a importância de se trabalhar com os pequenos grupos para alcançar o ideal do Novo Testamento: “Para se conseguir o nível de relacionamento edificante descrito no Novo Testamento, os pequenos grupos são essenciais. Eles oferecem uma oportunidade de conhecer mais profundamente um grupo menor de pessoas. Isto conduz à confiança mútua que permite a cada cristão compartilhar a sua vida com o outro. Então se pode verdadeiramente carregar os fardos uns dos outros, encorajar e mesmo admoestar quando necessário. Conhecendo melhor os outros e a si mesmo através do estudo da Bíblia, oração e do compartilhar, o crente pode crescer e ser semelhante a Jesus, conhecendo-O mais profundamente”. (Small Groups:Getting Them Started and Keeping Them Going, 6.)


Quando o Espírito Santo controla um grupo cristão, cada crente se une a uma pessoa em comum, o Senhor Jesus. Este momento de relacionamento com Ele provê unidade e harmonia ao grupo e conduz todos a uma atmosfera indescritível que não pode ser conseguida fora de um grupo de crentes. O lugar não é o fator mais importante na adoração das pessoas. Elas não precisam ir a um lugar sagrado com a finalidade de adorar. A verdadeira adoração é definida pela obediência a Cristo em cada ato da vida do cristão. A adoração não pode acontecer apenas uma vez por semana, no sábado pela manhã. É uma atividade realizada durante toda a semana. Adoração é uma vida de obediência ao Mestre. Paulo elaborou esta nova teologia da adoração: “Portanto, rogo-vos, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12:1).

Cada crente, em harmonia com os dons espirituais, desenvolve um ministério individual para o Mestre. Embora faça um ministério individual, nota-se entre os irmãos uma interdependência, caracterizada pela diversidade dos dons espirituais que produzem o sentido de comunidade (1Co 12). Assim, o entendimento da adoração em conexão com a utilização dos dons espirituais aparece no começo da principal passagem teológica de Paulo que descreve a igreja como uma comunidade. De acordo com o apóstolo, a igreja não se reúne para adorar a Deus, porque adoração é realizada através dos detalhes da vida do cristão, mas para estar em comunidade. Isso não significa que as pessoas não adoram quando vão à igreja. Elas adoram unicamente porque é parte de suas vidas. (Robert Banks, Paul’s Idea of Community, 89.) Se relacionamento, em termos de comunidade, é o motivo das reuniões da igreja, então ela deve ser composta de pequenos grupos, onde indivíduos possa encontrar comunhão uns com os outros. A igreja é o principal lugar de reunião para os cristãos, embora algumas pessoas tenham dificuldades de construir relacionamentos em grandes grupos. Por isto, uma grande reunião somente terá significado se os relacionamentos forem construídos nos pequenos grupos. (Burrill, Life and Mission of the Local Church, 126.)


Testemunho

O pequeno grupo faz com que as pessoas se sintam à vontade para compartilhar as suas vidas. Não há nada como uma vida centralizada no testemunho para ilustrar o que está sendo ensinado. Galloway observa: “Quanto mais uma pessoa compartilha com o grupo, tanto mais ela se sente parte dele.” ( 20 /20 Vision: How to Create a Successful Church, 112.)

Os outros membros do grupo também se sentem mais conhecidos da pessoa que compartilhou. O objetivo é que cada um participe da vida espiritual do outro, tornando-se assim uma família. Contudo, existem pessoas que não se sentem confortáveis em partilhar, e isso deve ser levando em consideração.

Ellen White, falando sobre o testemunho, declarou: “Todo homem que sentiu o convertedor poder de Deus torna-se em certo sentido um missionário. Há pessoas amigas às quais pode ele falar do amor de Deus. Pode contar na igreja o que o Senhor é para ele: um Salvador pessoal; e o testemunho dado com simplicidade pode fazer maior bem do que o mais eloqüente discurso.” (Conselho sobre saúde, 33.)

É importante chamar atenção para o fato de que podem surgir grupos, em igrejas, que não farão nada a não ser compartilhar. Embora por poucas semanas isso possa ser uma experiência hilariante, irão finalmente deteriorar-se e, sem material novo para ser utilizado, caem na monotonia. Em um grupo de sucesso, compartilhar é um importante ingrediente, mas é muito mais do que isso.


Oração


O pequeno grupo pode ser um ambiente ideal para se aprender a orar. Os líderes e os outros crentes maduros podem, por intermédio de orações curtas e objetivas, ensinar os novos conversos e mesmo os visitantes. Quando todos os participantes aprenderem a orar, poderão desfrutar do prazer de uma conversa pessoal com Deus e o previlégio da oração em conjunto.


Em cada grupo, a oração deve ser uma experiência espiritual em crescimento contínuo. Através da oração, as pessoas encontram respostas para as suas necessidades. Em oração, as pessoas são lançadas juntas em profundo nível espiritual. “A oração é o abrir do coração a Deus como a um amigo. Não que seja necessário, a fim de se tornar conhecido a Deus o que somos; mas, sim, para nos habilitar a recebê-Lo. A oração não faz Deus baixar a nós, mas eleva-nos a Ele”. (White, Caminho a Cristo, 93.)


Vivendo a Bíblia

 

A Bíblia não somente deve ser estudada nos pequenos grupos, mas também aplicada à vida diária. Deve-se fazer perguntas práticas: Que promessa o Senhor faz para mim? Qual é a verdade que Deus deseja aplicar em minha vida? Que princípio o Senhor quer ensinar-me nesta lição? Tais questões ajudam a fazer aplicações das verdades como lições à vida diária das pessoas presentes nos pequenos grupos. Mais do que apenas conhecimento bíblico, elas aprendem aplicações da Bíblia na vida diária.

A importância de se fazer uma aplicação eficiente das Escrituras, também foi observada por Ellen White quando escreveu: “O Senhor deseja que aprendais como usar a rede do evangelho. Para que tenhais êxito em vosso trabalho, as malhas de vossa rede precisam estar bem unidas. A aplicação das Escrituras tem de ser de tal modo que o significado seja facilmente compreendido. Então fazei o máximo no recolher a rede.” (Conselhos sobre educação, 219.)

Em uma determinada reunião, um grupo pode gastar mais do seu tempo disponível em oração. Em outra, mais tempo em compartilhar e, ainda, noutra ocasião, deter-se mais em aplicações e aprendizado bíblico. Mas se espera que a cada semana os três elementos sejam proeminentes em todos os pequenos grupos.